sábado, 20 de fevereiro de 2010

Dois dedos depois da margem

Há mais de dez anos, aprendi que nenhum parágrafo pode iniciar junto à margem. Desde então, eu e meus dedos fomos condicionados a provocar aquele espaço que, sem querer, passou a simbolizar início ou, simplesmente, retomada após uma pausa mais siginificativa, o início de um novo tópico, uma nova sequenciação. Assim, enquanto para alguns, dois dedos podem simbolizar aquela dose de cachaça do bar da esquina, aquele tanto de prosa, ou qualquer ideia banal ou promíscua que venha a cabeça; para mim os dois dedos sempre tem cara de início. Dois dedos sobre uma folha e uma contorção quase circense para que o lápis maque o ponto em que será iniciado o texto, sempre denotarão uma quebra brusca na gélida brancura da folha de papel. Dois dedos que ficam ali momenteamente fixos marcam, sobretudo, uma transformação.

Já que aqui que o blog se inicia, que fiquem dois dedos - ainda que virtuais - marcando esse ponto.

Um comentário:

  1. Machado de assis contemporaneo. Ainda jogo isso no New York Times.

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